segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ética e Moral na Cartomancia



Esta semana eu vi, ou pelo menos comecei a assistir e não terminei, um vídeo em um determinado canal do youtube, que confesso que me causou certo incômodo. Mas porquê? Não que eu seja contra o uso da licença poética ou a criação de novos instrumentos oraculares; mas pelo fato de alguns artistas - que é se podemos chama-los assim, o façam nomeando suas criações com nomenclaturas já estabelecidas em outros instrumentos. E falo principalmente sobre a cartomancia (de maneira geral).

Vejam bem, não estou falando de temática , muito comum e até interessante. Mas de novos conjuntos de cartas, que se utilizam nomes de instrumentos já criados, para um determinado uso e com suas normas básicas de utilização embasadas na sua História e estudos.

Hoje acordei, e resolvi escrever sobre este tema: Ética e Moral na Cartomancia

Até onde deixamos que nosso senso criativo ou necessidades comerciais ultrapassem as fronteiras destes limites? Na minha opinião, assim como eu teria a criatividade de construir um conjunto de cartas e lança-las no mercado para auto ajuda ou uso oracular, eu também poderia criar um novo nome para elas; por exemplo : "Baralho de Omar", " Baralho de combinações", Baralho da facilidade", etc. Como existem muitos por aí, e lindos!

Bem, eu como estudioso, professor e oraculista da cartomancia ( e leia-se 'cartomancia' como Lenormand, Tarô, Baralho Sibilla ou Naipiano - como costumo chamar o baralho comum) me incomodo muito com o uso indevido destas nomenclaturas para novos conjuntos de baralhos que são criados atualmente no mercado e fogem completamente de suas estruturas simbólica e numérica. Por exemplo:
Lenormand = conjunto de 36 cartas com símbolos próprios ( não importa sua temática! [se o Urso é polar, Americano, ou até o ursinho pool, será sempre Urso!]) Jamais seria apropriado criar um animal de laboratório mesclando urso e raposa, talvez um "ursoposa" e atribuir a este baralho o nome de Lenormand do Omar. Entendem?
Imaginem um baralho criado com uma lâmina onde mistura o Carro e Eremita, do Tarô, dar-lhe o nome de "carromita" , e lançar no mercado como Tarô do Omar? 

Eu conheço e tenho um baralho belíssimo, criado e desenvolvido por uma amiga e colega de profissão,[permita-me citá-la e elogia-la, Sônia Boechat] que possui 36 cartas e "algumas" imagens inspiradas no Lenormand, que se chama: Baralho da Maria Mulambo, e não Lenormand da Maria Mulambro! Entendem onde quero chegar? E além de vários outros Lenormand importados com temáticas diversas, inclusive um nacional exclusivo da querida Tânia Durão, com temática oriental, preservando toda estrutura numérica e simbólica do Lenormand original.

Ok, vamos falar um pouco de ética e moral neste mundo da cartomancia.

Conforme conceitos filosóficos, ética vem do grego "ethos" - modo de ser; Moral vem do latim "mores" - costume. 

Vamos então resumir que moral é um conjunto de normas que ajuda o homem a se comportar em sociedade. Durkheim define moral como sendo de 'caráter obrigatório' na Ciência dos Costumes.

Ética, conforme Motta (1984), é o conjunto de valores que orienta o comportamento dos homens em relação aos outros, garantindo bem estar.

Moral leva o homem a distinguir o que é "bem e mal", "bom ou mau", "certo ou errado", os antônimos.

Ética leva o homem a agir conforme os princípios fundamentais de uma tradição, educação, e  está embasada na inteligência.

No final das contas, ética e moral são valores implícitos no nosso livre arbítrio, que vai determinar se estamos construindo ou destruindo, apoiando a natureza ou a subjugando; são gatilhos para o que é "certo e errado" em sociedade conforme valores já estipulados. 

A reflexão deste texto, na cartomancia, é que: Até onde estamos sendo éticos e morais no estudo, uso, ensinamento e criação? Sejam eles de métodos, livros e baralhos.

Será que estamos sendo éticos ou morais quando destruímos uma estrutura já desenvolvida para a criação de uma nova, a partir da inteligência e tradição passada (tempo)? Livre arbítrio temos para isso, afinal está implícita na prática de ambas. Mas a aplicação lógica da Ética é que vai determinar se nossas ações e consequências para a sociedade cartomântica é moral, amoral ou imoral.

Vamos refletir sobre isso! E lembrar que somos dotados de infinitas possibilidades intelectuais, basta aplica-las, praticá-las e para construir algo novo não precisamos deturpar ou destruir algo antigo - literalmente tradicional.

Eu, particularmente, considero uma afronta a inteligência humana tentar limitar o estudo e possibilidades de combinações naipianas ou simbólicas. Oráculo, auto ajuda, auto conhecimento... seja lá como se utiliza a cartomancia, deve estar provida das sinapses e uso constante dos neurônios, até mesmo da intuição. Por que limitá-las?

Que o Logos esteja sempre conosco!!!   



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