sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Orixá de 2015 (?!)



[Reprodução do post que fiz ano passado, com algumas atualizações] 

'Há alguns anos uma onda de leitura anual para regência de orixás vem acontecendo. Mas isso não é nenhuma novidade, apenas se tornou "popular".

Bem, vamos esclarecer alguns pontos que vale a pena ser ressaltados:

1- Não existe essa coisa de Orixá regente do ano para "todo mundo".

Explicando: Orixá rege aquele que se dedica a egrégora dele; portanto, não seria apropriado determinar que um Orixá será regente de todos. O que acontece em algumas casas tradicionais de Asè ,é que, o babálorisà ou a Iyálorisà ira conversar com os orixás para ver quem se propõe a "olhar" ou "cuidar" dos filhos daquela determinada casa durante o ano que se inicia. 

Por isso, uma determinada casa de Asè terá seu Orixá regente, expandindo essa influência por todos seus descendentes ( as casas nascidas na mesma tradição, ou como dizemos no Asè : das "mesmas águas".

2- Dentro da tradição iorubá (candomblé/nação), não se conversa com esse orixá regente através da numerologia pitagórica, e sim através do Meríndìnlogum (Jogo de búzios). Portanto, não considero válido os cálculos numéricos a base dos números que compõe o ano a seguir ou o dia da semana que irá se iniciar o ano, usando associação com orixá. Muitos o fazem, e não vou descriminar essas interpretações - cada um segue aquilo que crê e TODOS devem ser respeitados.

Agora, digamos que algum babálorisà ou Iyalorisà resolva conversar com Ifá para saber a "Influência" de algum Orixá sob uma região ou população. Pode ? SIM ! E nestes casos a conversa é com os Odús; que, através de seus Omo Odús (caminhos) podem indicar não só um Orixá, mas talvez um grupo de Orixás que influenciarão determinadas épocas, naquela região. É semelhante as consultas a Ifá sobre as regiões em que as vitórias eram garantidas através dos Odus, em épocas remotas pelas tribos daomeanas.

Como e quando pode ser feita essa consulta ( para a região ou população) ?

Nos Itàns de Odú, quem determina os caminhos e assegura as influências negativas e positivas é o Odú Iká - o décimo quarto. 

Para os nossos ancestrais africanos, a Lua cheia (Àsùpá) era vista como os olhos de Olòorúm sob a Terra, nos momentos de escuridão. Reverenciavam essencialmente as Lua Cheia e Lua Nova ( ambas visivelmente em sua totalidade ), apenas com a diferença entre o dia e a noite. ( A lua em sua totalidade cheia vista a noite caminha em oposição ao Sol . A Lua Nova também se apresenta em sua totalidade; mas, muitas vezes não a vemos porque ela caminha durante o dia seguindo o Sol). Mas, ambas são chamadas de Àsùpá.
Então, a partir da última Lua Nova do ano se conta 14 dias (nascer do sol) para trás - sentido anti horário; e cairá em um àsùpá noturno; neste exato dia começam uma séries de rezas a Iká, até que se complete os 14 dias em que àsùpá se tornará diurno; e neste momento é que Iká se abre a revelação das influências divinas sobre a Terra.'

Neste ano (2014), a leitura foi feita exatamente no dia 21 de dezembro (última lua nova de 2014). Aí, então, tenho os Orixás que influenciarão minha terra. Entretanto, eu vou estar sob a "regência" de um Orixá determinado pela minha casa tradicional ancestral, que é o Engenho Velho (Casa Branca) em Salvador.

No meu jogo, quem vai estar regendo o Brasil (leia-se: região/país) é Insèèwé (um Oxossi), com influências fortes de Ossaim e Oxum. A partir de setembro teremos uma participação de Onirè (Ogum), Iyá Assessú (Yemanjá); e depois de Àsùpá de outubro, um julgo de Ibonã (Airá). [Aí a coisa vai esquentar!]

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