terça-feira, 2 de dezembro de 2014

As Estrelas ( 16 do Lenormand )


Quem nunca se pegou nomeando estrelas no céu? Acredito que muitos. Eu, por exemplo, tinha o costume de nomear algumas estrelas por pessoas importantes na minha vida. Para o povo nômade, principalmente os zott, as constelações tinham um significado muito especial; tanto místico quanto físico. O costume de estudar o céu, pelos povos do Oriente, era induzido pela observação das estrelas. Essa conexão não era meramente didática, mas muito espiritual. Dentro de uma leitura celeste profunda, as constelações possui mais importância que o próprio movimento dos astros. As constelações são a morada dos deuses. E quando nos referimos a tal Estrela Guia, é claro que se trata de nosso guia divino, cósmico, espiritual.
Dos luminares no baralho lenormand, as estrelas são a mais antiga e seu brilho continua fascinando muitos até hoje. Sua multiplicidade e longevidade são incontáveis. Diferente da Lua e Sol, das estrelas só avistamos a Luz, e este aspecto tem uma simbologia muito profunda.

 Para nós, seres humanos, as estrelas sempre teve uma importância fundamental; não só no sentido visual como também no metafisico, espiritual, e biológico. Antes do advento de instrumentos de localização, como astrolábios, bússolas e mapas, as estrelas foram nossos guias. A Terra era mapeada no céu através das estrelas, e elas foram responsáveis por possibilitar as grandes expansões de impérios em todo mundo. As estrelas também foram alvo de profundos estudos filosóficos e ocultistas com suas constelações fixas, marcando personalidades de indivíduos e muitas vezes definindo "seu" destino. Cientificamente, hoje sabemos que nosso corpo biológico possui componentes presentes nas estrelas; sim, somos feitos de 'gases e partículas' de estrelas, como hélio, hidrogênio e carbono. Tecnicamente, somos uma estrela!
Raramente olhamos para o céu e contemplamos as estrelas; mas elas sempre estão lá - brilhando intensamente, muito mais que o próprio sol. Nossa ligação mais íntima com elas, hoje em dia, é nossa identidade zodiacal marcado em nossa Carta Natal pelos signos. Mas, para os mais curiosos, esta ligação vai longe; pois nos leva a mergulhar profundamente na origem de todas as coisas. Quando o brilho de uma estrela chega a nós, provavelmente ela já estará literalmente morta. Não existe mais fisicamente, já explodiu! Apenas sua Luz nos chega e fica, como uma lembrança eterna de sua existência. O infinito do Cosmo é como um reveillon com fogos de artifício explodindo constantemente, uma celebração eterna de recomeços; a diferença é que estas luzes "nunca" se perdem, ou pelo menos estarão durante toda nossa existência humana.
Todos somos uma estrela, literalmente e simbolicamente. E o que nos faz uma estrela? Nossa simples existência. Agora, se esse brilho será visto e apreciado pelo outro, aí é outra história. A contemplação das estrelas na noite se dá basicamente de maneira coletiva, ou seja, mesmo que foquemos em apenas uma, visualizamos outras a volta; e pela distância e nosso potencial óptico não conseguimos visualizar apelas uma estrela solitária na noite, sempre estamos vendo constelações.
No baralho lenormand, as estrelas (plural) nos remota a uma simbologia de Luz, brilho, esperança, pluralidade, ancestralidade, espiritualidade, e infinito. Estas estrelas podem nos guiar em meio a confusão e incertezas; estas estrelas podem nos levar a contemplar a existência divina compondo o Grande baile celeste; estas estrelas podem nos apresentar a busca por conhecimentos profundos, além de nossa própria compreensão.


Há uma troca eterna entre nós e o Cosmo, e como dizem, a cada estrela que morre nasce um de nós e a cada um que se vai pelo portal da morte, nasce uma estrela. Essa interação constante nos faz pensar que somos viajantes no tempo; e como almas, embarcamos nessa rota com nosso próprio brilho, não o brilho do "outro"! Lembrem-se disso. E este brilho é construído de nossas ações e intensificado pela resposta do 'outro' em relação à nossa importância.
Geralmente, a estrela é uma carta de bom augúrio; mas lidando com as polaridades interpretativas, ela também pode simbolizar uma estrela que já "se apagou".
Considero esta carta como nossa orientadora no baralho. A carta das estrelas pode nos conduzir a qualquer caminho que desejarmos; mas cuidado! Se ficar fixadamente olhando para elas, pode não ver o que se encontra em seu caminho, e as estradas podem estar cercadas de perigos. Portanto, deixe que as estrelas lhe guiem, mas não fique viajando em sonhos supérfluos, e procurem não se deixar guiar por luzes que lhe levem a morte como insetos na lâmpada.
Simbolicamente, e por viés metafísicos, as estrelas podem ter uma ligação estreita com nossos dons e destino; uma carta que nos liga intimamente ao plano espiritual pessoal, não a dogmas e instituições.
Teoricamente, dentro de nosso tempo, podemos considerar as estrelas como imortais, e esta conotação nos remete a algo que vai além de nossa existência, inclusive ligando o passado ao futuro, ancestralidade a posteridade, nascimento a destino... e nós, somos o presente, o meio caminho disso: a própria estrela brilhando!


Todos somos estrelas, mas como anda seu brilho?
De que forma tem se guiado? Ou, orientado os outros?

Tenham uma noite bem estrelada. Olhe para o céu, contemple sua existência!

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