quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O Coração (24 do Lenormand)



Ahhh... "o amor"!

A carta do coração é belíssima de se ver, não é? Nos remete logo ao músculo que pulsa quando estamos extremamente emocionado. Mas o que dizer daquele aperto no peito que não está relacionado unicamente a alegria? Pois é, isso é também relevante quando vemos esta carta.
Popularmente, e de maneira muito simplória, em geral nós imediatamente associamos esta carta ao amor, a algo de bom e gostoso que vibra para o consulente. Mas não se culpe! É muito natural e normal fazermos esta associação. Mas se tratando de oráculo e simbolismo, lembremos que este órgão se relaciona com todo tipo de emoção, que viaja entre o amor e ódio.
Biologicamente, este músculo não tem nada a ver com sentimentos. A função dele é apenas bombear o sangue pelo corpo. O músculos que respondem aos estímulos emocionais estão nas paredes do estômago, e por proximidade, sentimos como se fosse no coração. Mas deixemos este literalismo para lá e vamos falar de emoções :) .
A carta do coração nos levará exatamente às questões onde o consulente se sente mais envolvido emocionalmente. Isso não quer dizer literalmente um envolvimento íntimo-afetivo e/ou íntimo-carnal. Esta emoção que pulsa o músculo da carta 24 pode ser também de mágoas, rancor, ódio, inveja, frustrações, ansiedade, etc. 
É muito interessante que observemos as cartas que acompanham o coração na mesa, elas podem ser o indicativo de onde o consulente está lançando mais energia emocional e que tipo de energia é esta. 
Se formos observar atentamente todo baralho, esta é a única carta que diretamente nos remete a um sentimento abstrato que circunda a vida humana e animal do lenormand. É a única carta que diretamente apontará um sentimento, e como tal, sua intensidade será revelada em conjunto com outras cartas.
O conceito do coração representar o sentimento humano remota ao século 5 a.C , quando os filósofos gregos discutiam onde estaria a alma. Os gregos não conseguiam assimilar o espiritual sem associa-lo a uma parte física. Platão e Hipócrates discutiam em que parte do corpo estaria esta alma, e ficou definido assim que o cérebro hospeda a alma imortal (responsável pela consciência)  e o coração a alma mortal (responsável pela inteligência e sentimentos); depois Aristóteles contradisse esta separação e afirmou que só existia uma alma e esta se localizava no coração, por ser o 'centro' do ser humano.
Para os egípcios o coração era o órgão mais importante, pois este seria pesado na balança de Maat, tendo como contrapeso sua pena da justiça, para saber se a alma iria para junto dos deuses ou seria devolvido ao caos para Ammit devorá-lo.
O ícone do coração variou em diversas épocas e culturas até chegar ao que temos hoje, que não se assemelha em nada com o real músculo. 
Mas o conceito amoroso e bondoso da figura do coração veio com os Cristãos, quando representavam o amor divino em sua icnografia pelo coração de Maria em chamas e o de Cristo irradiando Luz.
Quando estamos apaixonados, o que desenhamos? (hehehe) Por isso o coração, inconscientemente nos remete ao amor.
No baralho também, este simbolismo não foge a esta interpretação. Só que, considerando uma gama de sentimentos que envolve nós, seres humanos, seria imprudente limitarmos este ícone apenas ao amor. O consulente pode estar com:
O coração de pedra.
O coração mole.
O coração apaixonado.
O coração ferido.
O coração partido.
O coração magoado.
O coração cheio de ódio.
O coração invejoso.
O coração frio.
O coração quente.
... e por aí vai.

Para refletir:

Como anda seu coração?
Tem nutrido ele com sentimentos bons ou maus?


Nenhum comentário:

Postar um comentário