sábado, 14 de junho de 2014

Postura de um oraculista



Esta semana atendi uma cliente antiga que me disse ter ido em outra pessoa para se consultar, haja vista estar fora do RJ (Credito pessoalmente o fato da curiosidade). Bem, ela me confessou que ficou assustada e impressionada. Não pelo fato de acertos versus erros cometidos pela oraculista, que jogara tarô. Entretanto, me chamou a atenção a narrativa de minha consulente:
"... o local ela lindo! Mas cheio de imagens, cristais e uma fumaceira de incenso que mal poderia respirar. Mas Luk, não foi isso que me incomodou. Ela tinha um tom de voz tão agressivo, e falava como se estivesse dando ordens; o que não era natural dela, pois já havia escutado por telefone quando marquei a consulta. Pedia que eu confirmasse tudo que ela dizia. Tinha horas que ela parava num tom de suspense como se estivesse vendo um monstro, e por fim me dava aquele susto: CUIDADO! com fulano de tal, e descrevia uma figura que eu não conseguia associar a ninguém que conheço. Foi horrível, me falou coisas "creu com léu" e depois ainda disse que minha mãe estava na beira da morte. Aff, minha mãe já morreu há 10 anos! ..." E por aí foi mais uns 15 minutos de narrativa dela.
Eu só pensando com meus botões: O que levou ela a procurá-la? Não me contive e perguntei. A resposta foi quase que automática: " Minha amiga disse que ela era ótima!".
Em fim, mais um caso que mostra que o que é bom para um pode não ser para outro. E isso é mais comum do que imaginamos em nosso meio de trabalho.
Eu particularmente acredito que estamos vivendo uma época de tanto misticismo e folclore que as vezes muitos perdem a noção e acabam extrapolando em suas posturas. Não sei se é para impressionar, mas isso acaba sendo uma mão de via dupla, muitas vezes acaba assustando e se tornando ridículo - quase um show do Zé do Caixão.
Acredito que algumas posturas suaves e delicadas devem ser adotadas; até porquê, o consulente tem que sair de nossa frente em melhor estado do que chegou. Mesmo que a leitura tenha mensagens nefastas, devemos ter muito cuidado como a transmitimos. No meu ponto de vista, resolvi expor neste texto alguns temas para reflexão, que considero tornar nossas consultas mais agradáveis. É claro que existem pessoas (consulentes) que gostam de espetáculos - e graças ao Universo não são meu público alvo.

1- Ambiente limpo e aconchegante, que não necessariamente precisam estar decorados com extremos.
2- Mesa de atendimento o mais leve possível, até para que haja espaço para uma abertura das cartas de maneira confortável.
3- Cuidados com incensos! Nem todos são agradáveis, e muitas pessoas são alérgicas. O mais aconselhável seria um leve aromatizador, ou uma limpeza com produtos levemente perfumados.
4- Lidamos com um público extremamente diversificado, por exemplo atendo até pastores de Igreja Universal. Portanto é prudente que evitemos expor 'nossa' religiosidade através de imagens em excesso que sugira um proselitismo. Isso muitas vezes deixa o consulente desconfortável.
5- Não é necessário miscelânea, nosso tom de voz deve se manter equilibrado todo o tempo. Expressões faciais e elevação de timbre dão conotação teatral a consulta, e tira a seriedade.
6- Gesticulações em excesso também são perigosas, tira o foco do consulente nas palavras.
7- Ter consciência de nossas habilidades e conhecimento real do oráculo e métodos utilizados. Automaticamente isso passará confiança também ao consulente. Nada de 'enrolações'! Em caso de dúvida - que por ventura possa acontecer, o melhor é ficar calado.

Em todo caso, cada um exerce suas atividades da forma que melhor lhe convêm. Mas, vamos procurar ter o mínimo de respeito com nossos consulentes. Afinal, mesmo que alguns só procurem para nos testar ou por simples curiosidades, existem aqueles que realmente necessitam de um ambiente tranquilo, palavras doces e principalmente uma veracidade no que está sendo transmitido.

Boas consultas a todos!

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