terça-feira, 2 de julho de 2013

A Glossolalia



A Glossolalia constitui um comportamento universal pelo qual os humanos induzem um estado de transe semelhante às experiencias espirituais/misticas. Conforme George Jennings (etnólogo), essa prática faz parte dos cultos de muitos índios norte-americanos peiotes, dos índios do haida no norte do Pacifico, dos xamãs do Sudão, da Groenlândia, da Sibéria e da Africa, dos cultos xangô da costa oeste da Africa e de Trinidad, dos rituais de vodu do Haiti, dos cultos aborígines da Austrália e dos curandeiros dos Andes.
Nas sociedades cristãs, a glossolalia remonta ao Novo Testamento (Atos 2:1-42), quando Paulo e Lucas salientaram que o dom das línguas era parte notável da primitiva Igreja Cristã. De acordo com esses escritos, esse dom era visto como um efeito do Espírito Santo tomando posse do corpo cristão.
Como acontece com muitas experiências espirituais/místicas, a glossolalia apresenta-se geralmente em um cenário religioso formal. Entre os cristãos pentecostais, por exemplo, as reuniões especiais de "reavivamento" pretendem produzir uma atmosfera que encoraja os participantes a procurar esse tipo de experiência de êxtase. Como dos dervixes muçulmanos, que giram sem parar até chegarem a um frenesi extático, um indivíduo que procura alcançar a glossolalia precisa se entregar ao mesmo fervor religioso. Assim que esse "estado" elevado é atingido, ele, involuntariamente, começa a emitir uma algaravia ininteligível, fragmentos de palavras e vocalizações, e isso deu origem ao nome do fenômeno.
Então, devemos acreditar que tais experiências representam exemplos legítimos de seres humanos possuídos por um espírito? Essa algaravia ininteligível, atribuída ao dom das línguas, é, realmente, uma vocalização de nossos deuses, que usam nosso aparelho vocal para se exprimirem? Ou, trata-se apenas de um reflexo humano com base neurofisiológica?
Embora pouco ainda se saiba sobre a base biológica da experiência de glossolalia, foi revelado, por meio de registros eletroencefalográficos, que uma mudança distinta ocorre nos padrões de ondas cerebrais daqueles que entram no que os participantes chamam de estado de consciência "sagrado". Mas especificamente descobriu-se que, quando os participantes entram nesse estado de consciência, os padrões de ondas cerebrais mudam repentinamente de alfa para beta, confirmando que tais experiências têm relação direta com uma atividade neurológica.
A ligação física entre esse tipo de experiência religiosa e nossa neurofisiologia foi posteriormente validada em experimentos conduzidos por V.S. Ramachandran e S.Blakeslee, em 1998, que demostraram que o hemisfério cerebral direito desempenha um papel importante na glossolalia. Além disso, outros experimentos com a glossolalia, os quais revelaram mudanças de temperatura nos hemisférios direito e esquerdo, também sugerem que o "dom das línguas pode ser associado ao crescimento na atividade do hemisfério direito".
Então há de convir que esse é mais um mecanismo neurofisiológico confundido frequentemente com experiência de natureza "espiritual", e que, nada mais é do que uma atividade gerada pelo cérebro, não de uma fonte divina.

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