quarta-feira, 5 de junho de 2013

Desabafo de um oraculista




Não vou entrar em detalhes do que me motivou a desabafar sobre esse tópico por questão de ética e porque se trata de um desabafo mesmo.
Primeiro quero deixar claro, e os que me conhecem sabe, não se trata de uma critica e sim de esclarecimento. Lembrando que isso é MEU ponto de vista e não sou detentor das verdades; apenas me embaso na raiz e propósitos de determinados instrumentos.
Todos sabem que sou oraculista, trabalho com isso 6 dias por semana e de forma presencial. Conheço o meio e portanto me acho no direito de opinar.
O que venho observando há tempos e tem me incomodado é o modismo crescente e as adaptações sem sentido aplicada por alguns praticantes da arte divinatória e adivinhatória. Não consigo conceber o uso de dois instrumentos oraculares, ou mais, na mesma consulta. Vou explicar o porque:

1- Confio no oráculo que estou usando no momento da consulta. Então, por que eu usaria outro oráculo para "confirmar" uma leitura ou para acrescentar algo?

2- Como conciliar dois mecanismos distintos de interpretação? Levando em conta que cada um tem sua história e função própria.

Exitem certos instrumentos oraculares que exigem uma preparação por parte do interprete, seja didática ou litúrgica; quiçá ambas. Então, comumente observamos indivíduos que conhecem superficialmente um mecanismo oracular e já começam a utiliza-lo de maneira pública, interferindo na vida dos outros; e para "enfeitar mais ainda o pavão" começam a misturar tudo, e observamos aquela mesa de leitura que parece mais um circo.

Eu costumo separar os oráculos da seguinte forma:

Oráculos psicoespirituais - quando não se utiliza de instrumento. A mensagem é transmitida diretamente por transe do indivíduo. Exemplo de Delfos, As Virgens Sibilas (Requisito básico : iniciação e preparação litúrgica)

Oráculos tribais - quando determinados grupos religiosos se utilizam de símbolos e objetos provenientes de sua própria cultura; com uma finalidade própria dentro de sua estrutura religiosa. Exemplo do Opelè Ifá e Merìndínlògun - Búzios - para uma conversa direta com os Orixás, e que depende de um conhecimento específico dos Itáns, contos míticos. As Runas, simbologia desenvolvida para uma realidade única dos povos nórdicos, e que exige o conhecimento das sagas descritas no runatal. I Ching, próprio dos povos orientais, formada por uma estrutura simbólica única. Etc. (Requisito básico : Iniciação no culto religioso específico e estudo didático profundo, geralmente de forma oral a base de experiência sacerdotal)

Oráculos lúdicos - Dados, Tarô e cartomancia. Que basicamente se originaram de uma linguagem lúdica e depois incorporada nos meios ocultistas de forma oracular - O Tarô. (Requisito básico: Estudo profundo da origem e história dos arcanos e naipes)

Bem, o que observo é uma onda de modismo na busca de chamar a atenção do público, quando um "profissional" se propõe a utilizar diversos instrumentos oraculares em uma única consulta.

Como, tudo que é novidade, chama a tenção e tende-se a ser experimentado, a onda continua a crescer e não sei até que ponto vão sobreviver os fundamentos. Não sou contra re-leituras, atualizações, adaptações; pois tudo na vida está sujeito constantemente a mudanças. Mas, cada um no "seu quadrado". A mistura de várias egrégoras não só desestrutura uma leitura, mas também confunde o consulente.

Sei não, ou estou ficando velho e ranzinza, ou sou tradicional demais. Quem sabe um dia entro na onda...(rsrsr) Mas, por enquanto prefiro continuar respeitando as raízes.

By Robson Miranda (Luqiam)

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