segunda-feira, 3 de junho de 2013

A função da Espiritualidade



Com a percepção de sua existência, o ser humano tomou consciência de sua não-existência e atingida pela possibilidade de sua morte. Os primeiros proto-humanos se sentiram nus, vulneráveis, sozinhos e indefesos, sem a proteção contra uma força mais superior. Se a natureza não ajudasse com alguma adaptação, com toda certeza não conseguiríamos enfrentar nossa ansiedade, e é bem provável que nossa especie não teria sobrevivido. Com isso a natureza deveria modificar o processamento cognitivo do ser humano de uma forma que fosse capaz de sobreviver a consciência da morte.
Não era mais uma catástrofe climática que agora ameaçava, e sim uma pressão de nossa própria mente, e com base nessa pressão interna fisiológica, foi necessário que a cognição do hominídio continuasse a se transformar para garantir a sobrevivência. Nossa inteligencia que um dia fora nossa maior arma, agora estava pondo nossa sobrevivência em risco. O bom é que, por sermos autoconsciente, possuímos uma capacidade unica de nos adaptar a qualquer situação; por isso sobrevivemos a tantas catástrofes climáticas e nos tornamos uma espécie no topo da cadeia alimentar.
Mas, que tipo de mecanismo a natureza criaria para nos aliviar dessa tensão desenvolvida pelo medo da extinção, através da morte?
Com a capacidade de autoconsciência, nossa especie teve que ser "configurada" para essa nova ameaça. Assim como outras adaptações tiveram que ser construídas pelo homem para sobreviver as forças da natureza - roupas, ferramentas, armas de caça, etc., agora adaptações internas deveriam ser desenvolvidas. E com isso, indivíduos com a chance de sobreviver seriam aqueles cujos cérebros apresentavam certa mutação genética que os tonava capaz de suportar essa ansiedade gerada pela iminente morte. E os que sobreviveriam, teriam a maior chance de passar a seus descendentes essa mesma capacidade.
Gerações e gerações foram necessárias para que o homem pudesse desenvolver essa capacidade até que emergisse uma função cognitiva que alteraria o mode de perceberam a realidade, acrescentando um ingrediente "espiritual" a suas perspectivas. Desenvolvemos uma capacidade linguística, musical, matemática e também espiritual.
No fim das contas, a percepção da morte inevitável foi tão importante, que exerceu uma pressão sobre nosso desenvolvimento cerebral - cognitivo - que, em determinado estágios de nossa evolução, a natureza selecionou algumas linhagens que tivessem a predisposição para perceber uma realidade alternativa que ultrapassasse os limites do plano físico, o qual só pode nos dar sofrimento e, por fim, a morte. Assim uma nova realidade nasceu em nós,impelindo-nos a acreditar que somos transcendentes, a imaginar que somos mais do que, talvez, realmente somos.
De qualquer forma, seja por sobrevivência ou por proposito, esperemos mesmo que nossa especie possa  continuar a evoluir de tal forma que um dia não precisemos mais desse corpo físico. 
Uma coisa é certa: Nosso cérebro é fantástico e pode nos levar para bem longe.

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