quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Matriarcado yorubá



É bem corriqueiro encontrar simbolismo patriarcal nas casas de axé pela supremacia de Oxalá - como a divindade "pai". Entretanto, a religião yorubá está ritualisticamente embasada em um forte matriarcado.
O Sagrado feminino sempre foi de extrema importância dentro da religião dos orixás, de maneira sutil, mas, de extrema significância.

Apesar do xirê ( dança ritualística de abertura nas cerimonias), saudar uma linhagem masculina primeiro, o feminino já teve sua participação desde os primeiros passos de preparação das cerimônias.  

Desde os primórdios  a mulher yorubá tinha um poder especial dentro da liturgia, não só por se tratar daquela que gera a vida, mas por outros atributos também, como a idealizadora e realizadora de toda criação, sustentada na figura, pouco difundida de Odudua - Uma Iyabá - orixá feminino. Odudua é a "Mãe Terra" em sua essência, nada se faz sem reverencia-la antes. Única orixá que se veste de negro, jamais assentada nem se apresenta no orí (cabeça) de ninguém.



De Odudua nasceram as Iyámí ( Mães ancestrais), aquelas tão "assustadoras" que se tornaram um tabu dentro da religião. No entanto, toda casa de axé deve reverencia-las e cultua-las, porque elas são as fundações de tudo! Os quatro cantos dos templos são dedicados a Elas. Popularmente vistas como "as bruxas negras", Elas detém um poder quase que absoluto sobre toda vida e morte; os animais ovíparos são suas representações - répteis e pássaros, sendo Oxorongá (uma espécie de pássaro Pré-Histórico, semelhante a uma coruja) seu animal preferido. Até Exú estremece diante delas.

As Iyámí confere poder a todas as Iyabás, principalmente Nanã, Oxum, Yemanjá e Yansã. Elas são responsáveis pela circulação de todo sangue no corpo da fêmea, assim como seus ciclos menstruais. O culto as Iyámí é semelhante ao culto aos Egunguns ( Pais ancestrais ); no entanto com poderes e atributos mais relevantes.

Dentro da liturgia yorubá, só aqueles que "carregam" útero podem se aproximar tranquilamente das Iyámí. Quando, por ventura, não houver uma mulher que possa realizar tais ritos, um homem deve se travestir para esconder sua genitália e usar uma máscara de pássaro.

Muitos não conhecem o poder e as atribuições destas Grandes Senhoras. E dado tal ignorância, muitos ritos ficam a desejar. Futuramente, em outros post, citarei mais influência destas Mães Ancestrais na liturgia yorubá, e aos poucos entenderão a importância e status do Sagrado Feminino, dentro da religião.

Historicamente podem até perceber que, quem manteve a religião viva e lutou pela liberdade de expressão religiosa yorubá, foram as mulheres. Senhoras de axé que sentaram em tronos e estabeleceram tradições na religião.

E lembrando uma grande matriarca da religião yorubá, Maria Bibiana do Espírito Santo, (Mãe Senhora) do Axé Apô Afonjá. 



Luqiam - 23-01-2013


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