domingo, 25 de setembro de 2011

Thoth em sua forma babuíno



""OS BABUÍNOS OU CINOCÉFALOS são grandes macacos africanos, cuja cabeça oferece alguma semelhança com a dos cães e que, no entender do historiador grego Diodoro de Sicília, parecem-se a homens disformes por seu corpo, sendo seu grito um gemido de voz humana.Outro autor grego, Eliano, que escreveu um tratado sobre a natureza dos animais, garantia que no tempo dos Ptolomeus os egípcios ensinaram os cinocéfalos a ler; também lhes ensinaram a dançar, a tocar a flauta e a cítara. Alfabetizados ou não, músicos ou não, no antigo Egito estes animais, usando o disco lunar e o crescente na cabeça, como se vê à esquerda, estavam associados ao deus Thoth (Tout, Tot ou Tehuti em egípcio). Os monumentos egípcios mostram os babuínos adorando, saudando e cantando ao Sol nascente e poente.""


Thoth  era considerado o deus da escrita e a divindade que revelara aos homens quase todas as disciplinas intelectuais: a escrita, a aritmética, as ciências em geral e a magia. Era o deus-escriba e o deus letrado por excelência. Havia sido o inventor da escrita hieroglífica e era o escriba dos deuses; senhor da sabedoria e da magia. Era o deus local em Hermópolis, principal cidade do Médio Egito. Deuses particularmente numerosos parecem ter se fundido no deus Thoth: deuses-serpentes, deuses-rãs, um deus ibis, um deus-lua e este deus-macaco, que vemos ao lado numa estatueta de bronze do século V a.C. pertencente a uma coleção particular. Thoth era o escrivão do reino do além-túmulo, que anotava tudo o que se passava durante o julgamento dos mortos. Nesse julgamento, que se realiza num grande ambiente denominado Saguão das Duas Verdades, está presente uma grande balança destinada a pesar o coração do morto. Esse artefato, colocado no centro do saguão, é encimado pelo babuíno de Thoth. Por ser o mais sábio e esperto dos deuses, Thoth era invocado pelo morto como advogado defensor de sua causa nesse julgamento, do qual dependia sua vida eterna.




Na figura acima vê-se um grupo esculpido em alabastro na XVIII dinastia, no reinado de Amenófis III (c. 1391 a 1353), atualmente no Museu do Louvre, em Paris, no qual o escriba Nebmerutef trabalha em um longo papiro, sob a vigilância de Thoth. Provavelmente a peça é proveniente de Hermópolis, tem 21,3 cm de altura, 20,3 cm de largura e 9,2 cm de profundidade. A egiptóloga Elisabeth Delange assim a descreve: "O escriba real, sacerdote-leitor chefe, chefe de todos os trabalhos do rei" fixa na pedra o que sua nobre função deve à inspiração benevolente de Thoth. Em posição assimétrica, a perna esquerda destacada, curvado sobre o papiro, Nebmerutef escreve com um cálamo, atualmente desaparecido, muitoconcentrado em sua tarefa. Tendo sobre a cabeça uma peruca "encaracolada", a face apresenta um belo jovem, com olhos amendoados, um pequeno nariz arredondado, copiando os traços característicos da fisionomia do rei Amenófis III, para enobrecer "seu retrato".

O Deus Thoth — prossegue a escritora —, em sua forma de macaco hamádrias, elevado sobre um alto pedestal de cornija, domina com toda sua altura a estatueta do funcionário. A cabeça do cinocéfalo emerge do tosão generoso que envolve o corpo de pelos longos e espessos. Ele porta um disco solar com alguns sinais da douradura original. A inscrição que circunda a base é o pedido clássico para se beneficiar dos víveres colocados no templo de Thoth para sua própria subsistência. Aquela do papiro comemora uma atividade particular da qual o escriba está orgulhoso. Enfim o texto do pedestal ostenta uma prece ao "Senhor de Hermópolis, o Venerável, Thoth" para "atingir a alegria, a inteligência e permanecer na terra para servir o rei, pleno de favor e de amor", seus votos de qualidades morais mostram então que ele tinha consciência de que elas não emanavam de sua própria vontade, mas que ele as recebia da divindade.
Thoth, o deus da ciência e sabedoria — conclui a autora — é também "a lingua de Ptah", o senhor de toda a palavra, de tudo escrito. Nebmerutef se proclama "o intérprete das palavras divinas", o que significa em outros termos "penetrar na literatura religiosa, tornar senhor de idéias inacessíveis, trazer à luz as passagens obscuras". Assim Thoth é a fonte da inspiração, da atividade reflexiva, interiorizada. O monumento se torna um hino de ação de graças do homem de letras ao deus da inteligência, a pedra traduzindo o canto "venha Thoth, seja meu diretor, torne-me hábil, teus trabalhos são os melhores de todos os trabalhos".

Um comentário:

  1. Olá.

    Belíssimo texto.
    Sou suspeito para falar de Thoth, pois os aspectos desta Divindade sempre me fascinaram. Sei que em algum momento da minha vida, terei que me dedicar aos estudos das Divindades Egípcias. Para mim, que teço Poesias, contos e histórias, tenho Thoth como Patrono, junto com Maat e Bes.
    Parabéns pela postagem Luquiam e um bom dia.

    Morpheus, do Coven Alkatheia

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