segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Os Naipes - Cartomancia


Estava eu, pensando com meus botões... como os naipes do baralho se transformaram em oráculo? Ou será que o oráculo se transformou em "baralho"?
Historicamente, não ha referencia dos naipes na história da leitura oracular, com exceção da inclusão deles como "arcanos menores" do tarô. 
O baralho convencional baseado nos naipes, teve uma origem "mística", pelos ciganos árabes - mais tarde explico como funcionava - Mas esta forma, representada por estas figuras conhecidas como espada, copas, ouro e paus, foram elaboradas pelo pintor francês Jacquemin Gringonneur, encomendada pelo então Rei da França Carlos VI, isso lá pelos meados do século XIV.
Durante este período o baralho era usado como jogo, um passa tempo, e apenas pela nobreza. Apesar de já estar sendo usado pelos ciganos com sua composição mística. Creio que depois, com a propagação do tarô, e os estudos avançados dentro de uma linha esotérica, foram inclusos os "arcanos menores" - o baralho, para complementar uma leitura e enriquecer sua simbologia. O que, particularmente, acredito se tratar de visões diferentes, dentro de uma leitura; pois o tarô traz uma visão mais intimista e o baralho exterioriza a situação. Talvez por isso muitos chamem o baralho cigano de "fofoqueiro".
Bem, mas como então foram elaborados estes métodos de leitura através dos naipes? Sabe-se a principio que o povo rom (ciganos) tem uma linhagem patriarcal, mas toda a essência e poder mágico está na mão do matriarcal. As mulheres ciganas era quem detinha o poder e autorização para "ler o futuro", e se utilizar de instrumentos para isso. Claro que hoje já é bem diferente.
Mas... vamos lá. No inicio, a preocupação dos rom era essencialmente com a família, e portanto toda a atenção ligada a este centro, os ciganos antigos tinham suas ocupação - mesmo nômades. Eram artesões, circenses, adestradores de animais, funileiros, ourives etc... portanto não dependiam de ler a "sorte" para sobreviver; então a leitura se resumia ao Clã. Cada família tinha sua Shuvanni ( um tipo de sacerdotisa), que estava sempre atenta as questões internas. Esse conhecimento era transmitido de mãe p filha.
Dentro desta estrutura matriarcal, só existia dois naipes com a numeração de 1-10, que eram representados por uma mancha vermelha ( em quantitativo), para representar questões emocionais e familiares - conhecido hoje como naipe de copas, e com uma mancha marrom (terra) para representar os pensamentos, a lógica - conhecidos hoje como paus.
O vermelho não tem nada a ver com o coração -emoção, para os rom o vermelho era o sangue, as ligações familiares, e já sabiam que sentíamos as emoções pelos rins - uma visão inclusive sarracena.
Bem, quando as mulheres, com o passar do tempo, começaram a gerar mais o masculino (filhos), a transmissão do conhecimento matriarcal ficou comprometida, e tiveram que elaborar uma forma de passar o conhecimento para os homens. Como há uma certa tendencia a "segredos e ritos" que não podem ser modificados, ou não podiam, começaram a desenvolver mais dois elementos para que os "homens" pudessem se utilizar do oráculo; e daí surgiu os naipes de espadas e ouros. 
Há até uma certa lógica nesse aspecto, pois os homens estavam mais preocupados com assuntos externos, como bens e conquistas - a sobrevivência. Então, sabiamente acrescentaram mais estes dois elementos ao oráculo. Lembrando que, os rom sarracenos se utilizavam de folhas secas para "pintar" a simbologia. Para a representação destes novos elementos, foi utilizado um desenho de uma adaga e uma gota de ouro fundido.
Mas, como hoje nos utilizamos destes atributos significativos? Vale lembrar, que nosso meio contemporâneo vem de uma série de ensinamentos esotéricos, e que compõe hoje a simbologia do baralho. Por exemplo: 
Copas- Taça[ simbolismo do instrumento que contem a água, associada esotericamente as emoções, e também uma referencia ao sagrado feminino]. Coração [ por conta de uma falsa imagem do sistema emocional].
Paus- Bastão [uma referencia ao poder sacerdotal medieval, ou até a varinha mágica dos bruxos, trazendo assim o aspecto mental controlador, elaborativo, astuto]. Lança [ representando talvez a figura do caçador - de sonhos e objetivos].
Ouro - Quadrilátero [ simbolismo esotérico do material ]. Moedas [ representando a riqueza e poder.]
Espadas - Espada [ a arma de guerra, na qual dependia de força, habilidade e coragem para empunhá-la, guerra e estratégia, consequentemente uma mente em ação, sem limites]

Ficaríamos horas dissertando sobre os simbolismos...

E as cartas de côrte? Onde entram nesta história? Bem, quando o baralho chegou na Europa já tinham as representações de côrte. Mas, porque os rom acrescentaram estes símbolos?
Bem, quando as coisas começaram a piorar para nossos ancestrais andarilhos, eles precisavam se utilizar do oráculo para ganhar o sustento, isso começou com algumas famílias circences, na qual acrescentaram ao programa de atrações a "leitura da sorte". 
Bem, com suas andanças e apresentações em côrtes de diversos lugares, foi necessário incluir no oráculo cartas que representassem "terceiros" nas questões, haja vista os membros da nobreza só quiserem saber dos "outros"; e daí, talvez em uma forma de "agradar" tais nobres, foi elaborado figuras com membros da nobreza - O bobo da côrte ( que não utilizamos para o oráculo), o Valete, a Dama/Rainha e o Rei.
Com isso, os rom poderiam inclusive estabelecer os arquétipos e personalidades destes membros, representados pelos naipes.

Independente de qualquer origem e curso que nosso baralho tomou, é de se admitir que hoje temos um rico "livro", de auto-conhecimento, mistérios, previsões, adivinhações... Tudo a gosto do freguês.

Depois falarei de como este importante sistema se "meteu" no meio do tarô, uma longa história... pois a cada passo do Louco pelos arcanos ele se depara com as 52 cartas do baralho.

Aguardem...


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